Tempo perdido

“Todos os dias quando acordo, não tenho mais o tempo que passou…”

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Não sei dizer porque essa música mexe tanto comigo, acho que é pela esperança de que ainda temos chance de mudar tudo. “… Não tenho mais o tempo que passou, mas tenho muito tempo, temos todo tempo do mundo.” Já falei bastante aqui sobre a vontade de mudar, mas… e a vontade de fazer diferente? “Temos todo tempo do mundo”, nem que seja só até amanhã. Mesmo que tudo o que foi feito até agora tenha sido em vão, existem erros que foram cometidos na mais pura vontade de acertar. Existem erros que não. “Não temos tempo a perder”, todo o tempo que podíamos perder já se foi… mas não perdido.

Não conseguimos aprender observando os erros que outra pessoa comete, a experiência pessoal é o melhor aprendizado. Assisti a um documentário com minha mãe essa semana, no qual Jane Elliot (80 anos, professora americana) realiza experiências um tanto curiosas em um grupo voluntário na cidade de Londres. Primeiro ela separa o grupo maior em dois grupos menores: os que têm olhos azuis e os que não têm. Já começa o teste logo ali no início, tratando com aspereza e frieza o grupo de olhos azuis. Depois seus ajudantes conduzem o grupo de olhos castanhos ao salão principal e o outro à uma salinha desconfortável que não possui cadeiras suficientes para todos. A Professora então explica para os “olhos castanhos” como funciona a dinâmica: eles devem fazer com que o outro grupo sinta-se discriminado, inferiorizado, injustiçado e sim, apenas porque possuem olhos azuis. Uma ou duas pessoas não concordam em realizar o teste e acabam discutindo com Jane Elliot que, nenhum pouco educadamente, pede para que os revoltados retirem-se do local.

O grupo de olhos azuis junta-se então ao restante do grupo para que a dinâmica comece (mal sabiam eles que já tinha começado). Não é segredo para nenhum dos grupos o objetivo real da experiência e mesmo assim, muitas pessoas revoltam-se por estarem sendo mau-tratadas apenas por terem olhos azuis, dizem que o teste não tem fundamento e que não são preconceituosas. O preconceito lá fora, pode ser um tanto sutil, mas é bem maior do que aqui no Brasil. É vergonhoso… mas mesmo assim, tirando algumas “maçãzinhas podres”, grande parte do grupo de olhos azuis compreendem a experiência no final e saem do galpão com uma nova visão sobre o preconceito. Se você não pode mudar a cor dos seus olhos, imagine a cor da sua pele, e é obrigado a conviver com o racismo e a ficar calado. Que mundo é esse?

E através desse documentário, eu e minha mãe tiramos a conclusão de que ninguém, absolutamente ninguém sabe exatamente o que é sofrer com o preconceito, até realmente sofrer com o preconceito. As experiências que outras pessoas vivem podem fazer com que você aprenda algo, mas são as suas – e somente suas – experiências que farão com que você absorva de verdade o que quer que seja.

Afinal, “temos todo tempo do mundo”, nem que seja só até amanhã.

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